
Flávio Cruz é jogador da equipa de voleibol do Vitória de Guimarães e representa a selecção nacional na Poule de Apuramento para os Jogos Olímpicos de Pequim 2008, a decorrer estes dias em Évora. Desde muito novo foi considerado uma promessa do voleibol nacional e hoje, aos 24 anos, apesar de ainda jovem, conta já com uma larga experiência na modalidade, ajudado pelo seus 1,94 metros de altura.Flávio Cruz, uma promessa do voleibol nacional.
Flávio considera que o voleibol não é obrigatoriamente um desporto para os mais altos. Por isso, temos o exemplo do Miguel Maia, no contexto do voleibol em si, não é um jogador muito alto, mas tem um grande poder de elevação e consegue saltar bem. Além disso, tem a facilidade de ser passador, não é um atacante, não precisa de tocar a bola muito alto, e no entanto, é considerado o melhor jogador do voleibol português. Também existe a posição de líbero, que não há a obrigatoriedade de ter uma altura mínima ou uma altura máxima. Havendo outras capacidades que são mais importantes, por exemplo, a capacidade de realizar gestos técnicos próximos da perfeição, no entanto, a altura é claramente um factor importante.
Comparativamente a anos anteriores, o nível do campeonato nacional é muito superior a anos anteriores. Seja por um ou outro jogador que tenha sido contratado, seja pela capacidade de organização que os directores de algumas equipas tiveram, em conseguir juntar jogadores que se completavam. No entanto, o campeonato está subdividido em dois ou três grupos. O grupo dos quatro primeiros está muito bem definido, com Vitória de Guimarães, Benfica, Sporting de Espinho e AJF Bastardo, dos Açores. Depois há uma quebra muito forte para as restantes equipas e volta a haver um certo equilíbrio para as equipas que vão lutar para não descer. Por isso, sendo um campeonato muito dividido, vai ser competitivo entre esses três grupos.
Segundo Flávio Cruz, em Portugal, só com os rendimentos do voleibol, não dá para viver. O panorama do emprego está cada vez mais complicado e os jogadores em Portugal, quando acabarem a carreira, não irão conseguir viver do dinheiro que ganharam com o voleibol. No máximo, um jogador ganha um ordenado à volta dos 3000 euros. Mas isso são os jogadores de top das melhores equipas.
Relativamente à selecção nacional de voleibol, o trabalho que tem sido feito tem abrangido a faixa etária dos vinte e quatro aos vinte e sete anos. No ano 2000 foi contratado um treinador cubano, o professor Juan Diaz, que veio implementar regras de treino altamente rígidas e de alta competição. O professor Juan manteve-se durante quatro anos e isso foi feito para aumentar e melhorar as condições técnicas e físicas dos jogadores e para alterar as perspectivas tácticas, havendo sempre uma evolução até este ano. A partir de 2004 houve uma introdução de treinadores brasileiros como o Francisco Santos e o actual que é o Jorge Schmidt. São treinadores muito experientes, já que o Brasil é o campeão mundial consecutivamente há oito anos, e trouxeram uma cultura voleibolista que o país não tinha e conseguiram enriquecer os nossos jogadores. Actualmente, fizemos uma boa campanha o ano passado na Liga Europeia, onde perdemos na final com a Espanha por 3-2. Este próximo ano vai ser um ano complicado, nomeadamente para conseguir alcançar os Jogos Olímpicos em Pequim, mas é esse o nosso objectivo. Tudo é possível.

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